Estados Unidos, a nação das grandes mentiras, por Paulo Roberto Cannizzaro

Por Paulo Roberto Cannizzaro*

 

Pergunta-se, agora, como a sobretaxa americana impacta a balança comercial do Brasil? Há verdades ocultas no comportamento americano que merecem análise mais verdadeira e, não as mentiras que habitualmente eles costumam contar ao mundo. E aqui para nós, são mestres na habilidade de mentiras.

Cabe rememorar uma historinha didática. Conta-se que o genial produtor Quincy Jones, do disco Thriller e o inigualável cantor-compositor Michael Jackson, tentaram um dia os direitos da música “Novo tempo”, do nosso grande Ivan Lins, no entanto, não chegaram a um acordo. Bela canção de esperança por sinal. E sobre esse evento o próprio Ivan Lins comentou, com rara precisão: Eles, os americanos têm aquele… eles sempre foram assim; eles já chegam como se fossem donos de você, eles se sentem assim: eu sou mais poderoso que você, então eu posso tudo”.

 Isso, historicamente, é verdadeiro em vários sentidos. Seria lícito indagar: Como carregam uma realidade econômica e financeira tão desastrosa e mentirosa, de déficits permanentes de trilhões de dólares, mas se comportam como se fossem os benfeitores e os “estáveis” dominantes do mundo?

Nesse momento, talvez na mais complexa realidade brasileira, nos distraímos com briguinhas de Lula, Bolsonaro STF e, Trump, como se esse fosse o jogo a ser jogado, o que a grande imprensa, muito por culpa de alienação crônica, não consegue interpretar. E o povo vai sendo distraído e convencido, por conveniência, que o nosso problema são as diferenças dos confusos polos políticos brasileiros. Não é essa a questão central.

Pensem o seguinte: os americanos estão a anos carregando dois déficits siameses. Um déficit fiscal de cerca de dois trilhões de dólares por ano, que agrava a dívida americana sucessivamente, ou seja, as contas dos gringos estão arrombadas e perderam os limites toleráveis.

O outro irmãozinho do déficit fiscal, é o déficit comercial, talvez seja de mais um trilhão de dólares por ano, eles importam mais do que exportam, também por um cacoete de uma nação que é doente por consumo, mas continuam se achando inatacáveis, como se fosse a joia preciosa do deserto.

Acreditam, suficientemente, no papel milagroso do Dólar, como moeda de reserva mundial, sendo esse o único ponto crucial de seu poder. É evidente que o dólar é a principal moeda de reserva global, e de termo de troca internacional, havendo por isso uma demanda constante por títulos do Tesouro dos EUA (a dívida americana).

Isso permite que os EUA possam contrair empréstimos a taxas de juros mais baixas do que outras nações, tornando a gestão de uma dívida grande mais “sustentável” a curto e médio prazo. Investidores e bancos centrais de todo o mundo compram títulos da dívida dos EUA, sempre foram considerados investimentos seguros e líquidos, mas isso começa a ruir, passou haver uma desconfiança nas agências de riscos, onde prenúncios de receios já sinalizam não ser mais um país assim tão intocável e inteiramente confiável.

Onde isso vai parar? Qual o limite dos EUA? Podem tudo por isso? Então, para enfrentar isso, o Presidente Trump está germinando uma gravíssima política industrial e de comércio exterior. Qual a intenção disso? Enfrentar o déficit comercial, estimular a volta do investimento interno nos Estados Unidos. Essa é e verdade nua e crua, e não esse papo furado de briguinhas políticas.

O Trump, em pouco tempo, está aumentando a arrecadação de um montante de receita extraordinária como taxas para melhorar o resultado da economia americana e, aqui internamente, um monte de idiotas, perdem tempo, com um discurso débil que precisamos nos defender de um inimigo estrangeiro.

É preciso compreender que isso veio para ficar, é um novo padrão de relações internacionais. O que o governo americano está fazendo é saciar o seu déficit de doenças econômicas, e assim a imposição desse tarifaço é só uma questão de vida e morte para os americanos.

O Brasil, idiotamente, não percebeu isso, tolera um discurso interno infantil de retóricas. O nosso PIB vai ser afetado? Claro que vai. E ponto. A solução é identificar o tamanho do impacto na diversificação da nossa matriz comercial, criar adaptações internas, e assumir que o jogo é esse.

Acreditem, a capacidade desse governo americano fazer mal ao Brasil não é mortal. Nossa reação concreta deve ser única: não deixar que nossos investimentos e nossas empresas vão embora daqui, ou deixem de operar competitivamente, e que aconteça o desfazimento de nossas cadeias produtivas.

Cuidar de nossas empresas, essa é a solução objetiva. Invés disso, de uma reflexão estratégica, não ouçam os alienados que perde tempo com a nossa polarização política doentia. O jogo é outro. Volto para Ivan Lins, na letra de Novo Tempo.

No novo tempo apesar dos castigos estamos crescidos estamos atentos estamos mais vivos, pra nos socorrer pra nos socorrer pra nos socorrer…no novo tempo apesar dos perigos da força bruta, na noite que assusta estamos na luta pra sobreviver”…

 

*Paulo Roberto Cannizzaro é escritor e consultor de empresas
** Os artigos publicados são de responsabilidade de seus autores
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