Estudo revela manutenção da hegemonia do Sudeste e Sul, mas aponta evolução do Nordeste, que alcança o 3º lugar entre as regiões
Por Luciana Leão
Com 95 páginas, foi lançado nesta terça-feira (19), a sétima edição do Índice de Inovação dos Estados 2025, análise desenvolvida pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), por meio do Observatório da Indústria Ceará, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI); e com o apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Sebrae Nacional.
A publicação traz um raio-x da inovação brasileira sob análise de 12 indicadores – de investimentos públicos em ciência e tecnologia à produção científica e sustentabilidade ambiental.
Pelo quinto ano consecutivo, São Paulo mantém a liderança no Índice de Inovação dos Estados, seguido do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná completam as cinco primeiras colocações do ranking. Essa sequência foi a mesma das duas edições anteriores, o que demonstra uma estabilidade no topo do índice nos últimos três anos.
Já no sentido inverso, os estados menos inovadoras foram o Maranhão (27º), Roraima (26º), o Amapá (25º), o Acre (24º) e o Tocantins (23º).
“Esses resultados apontam para as históricas desigualdades econômicas regionais do Brasil, visto que todos os seis primeiros colocados estão localizados nas regiões Sudeste e Sul, enquanto os seis últimos são todos das regiões Nordeste e Norte”, citando trechos do relatório.
Avanços e retrocessos
Entre os casos mais expressivos do índice está o de Mato Grosso do Sul, que avançou cinco posições no ranking geral desde 2021, saindo do 16º para o 11º lugar, puxado pelo fortalecimento da eficiência institucional e pelo aumento dos investimentos públicos em ciência e tecnologia. Sergipe e Acre também subiram no ranking, ambos com ganhos de duas posições.
No sentido inverso, o maior recuo foi registrado pelo Maranhão (27º), com uma queda de cinco posições. A Bahia (13º), o Rio Grande do Norte (14º), a Paraíba (16º), o Mato Grosso (20º) e o Amapá (25º) também tiveram recuos significativos, de duas colocações.
Já na comparação com o ano anterior (2024), Sergipe (17º) e o Acre (24º) tiveram as maiores variações positivas, ascendendo duas colocações, ao passo que o Maranhão (27º), com queda de quatro posições, teve a maior variação negativa.
Crescimento
Em diferentes dimensões do estudo, outros estados revelaram potencial de crescimento: Rondônia e Alagoas tiveram avanços significativos em infraestrutura e capital humano, enquanto o Piauí protagonizou uma das maiores evoluções institucionais, subindo nove posições.
No caso de Alagoas, o estado registrou o maior avanço do País, entre 2021 e 2025. De acordo com o documento, o estado saiu da 20ª para a 9ª posição no ranking nacional – uma evolução de onze posições – e atingiu o primeiro lugar entre os estados nordestino, no indicador de infraestrutura.
“Ela [a infraestrutura] pode ser entendida como uma das dimensões do capital de uma economia, pois a presença de uma infraestrutura adequada, com redes de transportes e telecomunicações de boa qualidade, permite incorporar ganhos significativos de produtividade ao sistema produtivo”, informa a federação, no documento.
Nordeste em destaque
Na análise regional, o ranking trouxe uma novidade: o Nordeste subiu uma posição e alcançou o 3º lugar nacional, ultrapassando o Centro-Oeste e o Norte. O avanço foi impulsionado por indicadores como Sustentabilidade Ambiental, no qual a região ocupa a vice-liderança nacional, apoiada na forte geração de energia renovável.
Nesse campo, o Ceará registrou um salto expressivo, conquistando o 2º lugar entre todos os estados. Além disso, o Ceará encabeça o Índice de Inovação no Nordeste, seguido por Pernambuco.
Segundo Jefferson Gomes, diretor de desenvolvimento industrial, tecnologia e inovação da CNI, “esse é um sinal claro do potencial transformador da região. Estados como Ceará, Piauí, Alagoas e Pernambuco demonstram que, com políticas adequadas e investimentos consistentes, é possível alavancar a inovação mesmo em cenários desafiadores. O desempenho em áreas como sustentabilidade ambiental e capital humano revela vocações regionais que precisam ser fortalecidas”.
O estudo reforça que a inovação é essencial para produtividade, competitividade e superação de desafios globais, incluindo mudanças climáticas e avanços tecnológicos, com atenção especial ao Nordeste, cujo desempenho nos resultados supera as expectativas frente às suas capacidades.
Além dos números
Ao apresentar a edição 2025, Guilherme Muchale, economista-chefe da FIEC e gerente do Observatório da Indústria Ceará, enfatizou a importância de observar cada unidade federativa.
“Antes, visualizávamos os resultados do Brasil no contexto global, mas não sabíamos o estágio da inovação em cada uma das 27 unidades federativas. Daí surgiu a proposta do Índice de Inovação dos Estados”. Desde 2019, o estudo oferece uma visão crítica, orienta políticas estaduais, identifica oportunidades, aprimora estratégias e consolida iniciativas de sucesso. “O Índice subsidia os tomadores de decisão para que políticas exitosas sejam continuadas e aponta onde há espaço para melhoria”, acrescentou Muchale.
Para Márcio Guerra Amorim, superintendente do Observatório da Indústria da CNI, o índice vai além de números: “A publicação se traduz em avanços e na identificação de oportunidades para o desenvolvimento da inovação no Brasil e nas 27 unidades da federação”.
Acesse aqui o relatório completo por unidade de federação e indicadores

