Conexões Transnordestina retoma debate do trecho Petrolina-Salgueiro

Com a próxima edição já confirmada para esta sexta-feira (15), os seminários Conexões Transnordestina- A Ferrovia que Mudará Pernambuco- chega ao município de Araripina no sertão do Araripe (PE), município estratégico do polo gesseiro, e reforça o debate da inclusão do trecho Petrolina-Salgueiro ao Porto do Pecém , no Ceará, e Suape (PE).

Nesta quarta-feira (13), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) , principal financiadora da ferrovia, participou dos debates, no auditório da CDL. O debate ocorrido em Petrolina concentrou-se na retomada do projeto do ramal ferroviário Petrolina–Salgueiro, interrompido em 1992.

Está em vias de elaboração por meio de uma parceria entre a Sudene e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estudo de viabilidade, que deverá ser concluído até o primeiro semestre de 2026. Serão avaliados aspectos técnicos, socioambientais e econômicos, com o objetivo de conectar o polo de fruticultura do Vale do São Francisco ao entroncamento da Transnordestina, em Salgueiro, integrando a produção local à malha ferroviária nacional.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, ressaltou o papel da universidade na elaboração dos estudos e a relevância estratégica da obra. “Há uma dimensão estratégica para a região Nordeste. O trecho Petrolina–Salgueiro insere a cidade no mapa logístico com conexões importantes e fortalece profundamente a economia regional. Nosso compromisso é finalizar os estudos ainda este ano, considerando custos, impactos ambientais e potencial de integração. É uma obra estruturadora, e a grande beneficiária será a população”, disse.

Simbolismo

Para o coordenador de Estudos e Pesquisas da Sudene, José Farias, o encontro em Petrolina simboliza o compromisso da Autarquia em liderar o diálogo e articular soluções para tornar o ramal uma realidade.

“Petrolina acolhe o desafio de trazer o ramal da Transnordestina, interligando a cidade à ferrovia. É importante abrir o diálogo e trabalhar um plano de ação que envolva todos os atores. Essa é a maior obra de infraestrutura em andamento no Brasil, com potencial de gerar negócios e atrair novas indústrias. A Sudene se compromete a estar à frente dessas discussões e temos instrumentos para apoiar a obra e seu desenvolvimento”, afirmou.

Conexão em números

Os números mostram a relevância estratégica dessa conexão. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, mas ocupa apenas a 23ª posição entre os maiores exportadores, em grande parte devido a gargalos logísticos.

Em 2024, o Vale do São Francisco respondeu por 30% do volume e 27% do faturamento nacional das exportações de frutas, com destaque para a manga – que gerou mais de US$ 323 milhões – e a uva, com US$ 155 milhões.

A manga tem como principal destino a União Europeia (70,1% das vendas externas), seguida pelos Estados Unidos (14,3%) e Reino Unido (7,6%). Já a uva segue majoritariamente para a União Europeia (46,1%) e Estados Unidos (23,4%).

Hoje, quase 80% das frutas brasileiras são exportadas para o mercado europeu, concentrando a logística em poucos portos e rotas. A ampliação de corredores logísticos é vista como fundamental para reduzir custos e ampliar a competitividade internacional.

Corredor logístico

Para o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Luís Ludolfo,  o impacto do projeto na economia nacional será de grande relevância. “Estamos criando um novo corredor logístico que vai gerar empregos, movimentar renda e ampliar as oportunidades para o setor produtivo. O trecho Salgueiro–Suape terá 544 quilômetros e um custo de R$ 3,5 bilhões, com previsão de conclusão em 2029. Os primeiros editais para execução das obras devem ser lançados ainda este ano, e as frentes iniciais começam no primeiro trimestre de 2026”, explicou.

Guilherme Cavalcanti, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, ressaltou que a agenda precisa ser tratada como prioridade nacional.

“Construir um projeto de País significa superar interesses pessoais. São escolhas estratégicas de longo prazo. Suape tem uma performance logística e orçamentária de destaque. É a construção de um ativo de infraestrutura e logística feita pelo povo de Pernambuco, mas um ativo do Brasil que transforma a economia do Nordeste. O que precisamos ter hoje é a urgência do Brasil para melhorar o escoamento da sua produção”, afirmou.

O professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Rafael Amorim, lembrou que a competitividade logística depende do equilíbrio entre os modais de transporte, citando a China como exemplo.

“Lá, 35% do transporte é rodoviário, 14% ferroviário, 25% por cabotagem, 3% dutoviário e 23% hidroviário. No Brasil, a realidade é bem diferente: 61% rodoviário, 21% ferroviário, 12% cabotagem, 4% dutoviário e 2% hidroviário. É preciso investir na diversificação e na intermodalidade para reduzir custos e aumentar a eficiência”, afirmou.

Ele reforçou a importância de ampliar a capilaridade da Transnordestina e lembrou que, no ranking de competitividade do World Economic Forum, o Brasil ocupa apenas a 85ª posição no quesito infraestrutura de transportes.

 

 

 

*Com informações da Sudene

 

 

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Luciana Leão

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