Cabotagem impulsiona portos do Nordeste e fortalece logística sustentável no Brasil

Por Ana Júlia Silva

O transporte por cabotagem no Brasil vive um momento de expansão, impulsionado pela regulamentação recente do BR do Mar e por investimentos portuários que melhoram a competitividade das rotas marítimas internas. No Nordeste, o modal ganha relevância tanto na exportação de commodities quanto no abastecimento interno, conectando-se ao restante do país com custos potencialmente menores e menor pegada de carbono.  

O Porto de Salvador (BA), por exemplo, que teve uma alta de 1,52% no crescimento em 2025, tem 86,1% da sua operação baseada na cabotagem. O modal se consagra como uma opção segura e eficiente de conectar o Brasil, alternativa ao transporte rodoviário. 

Empresas miram o Nordeste como novo hub logístico nacional

A presidente da Aliança Navegação e Logística – empresa que atua em cabotagem e logística integrada- Luiza Bublitz, aponta que a cabotagem é cada vez mais relevante para enfrentar os desafios da infraestrutura brasileira.

Acreditamos que a logística integrada – unindo modais – é a melhor forma de entregar eficiência operacional, reduzir custos e gerar ganhos ambientais para nossos clientes”, diz. 

A opção de transportar grandes cargas entre portos pela costa do país torna o Nordeste favorável para a implantação deste sistema de transporte. 

O Nordeste se consolidou como um dos principais pilares da nossa atuação. Nosso compromisso é aprofundar a conectividade logística da região, oferecendo soluções integradas que combinam escala, eficiência e responsabilidade ambiental, sempre ajustadas às especificidades de cada cliente”, destaca ao site da revista NORDESTE Felipe Gurgel, diretor Comercial da Log-In Logística Integrada. 

A Log-In, que teve 68,5% de todo o volume de cabotagem entre 2023 e julho de 2025 com origem ou destino no Nordeste,  atua nos portos de Suape (PE), Salvador (BA) e Pecém (CE), e opera principalmente nos setores de alimentos e bebidas, construção civil, indústria química, sal e grandes atacadistas.

Principais cargas e rotas que movimentam milhões pelo litoral

De acordo com dados do Estatístico Aquaviário (EA) da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os grupos de mercadorias mais exportados por tonelada no primeiro semestre de 2025 foram respectivamente petróleo e derivados, contêineres, minério de ferro e sal.

As estatísticas ainda apontam que no mesmo período, 44,8% destas mercadorias tem como destino o Nordeste, 34% para o Sudeste e 14% para o Norte. 

Maranhão foi o estado que originou mais toneladas pelo modal costeiro, entre janeiro e maio de 2025, com 2.261.619 toneladas, seguido por Bahia e Pernambuco. Já o Ceará  foi quem mais recebeu esta mercadoria, com um montante de 2.050.719 toneladas. A Paraíba, por outro lado, foi o estado com menor quantidade de toneladas originadas e recebidas. 

Com menor emissão de CO² em relação ao transporte rodoviário, custos por tonelada reduzidos e menor risco de avarias, a cabotagem se destaca como uma alternativa competitiva e sustentável para o Brasil. Mais do que um modal de transporte, ela se consolida como peça-chave para integrar regiões, fortalecer a economia e apoiar a transição para uma logística mais verde.

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