Grupo Teleport lança Escola China Brasil para impulsionar negócios e acesso a crédito com recursos chineses

O Grupo Teleport apresentou nesta sexta-feira (8), no Recife, a Escola China Brasil, plataforma online voltada a empresários interessados em acessar crédito, incentivos fiscais e oportunidades de negócios com a China. A iniciativa oferece aulas compactas sobre recursos financeiros e segmentos prioritários definidos pelo governo chinês e entidades empresariais, além de mentorias ao vivo.

A Escola é uma extensão do HubBrasilChina, escritório virtual e coworking inaugurado no ano passado em Macau, cidade chinesa de colonização portuguesa que facilita a interação com empresários brasileiros. Segundo o presidente do Grupo Teleport, Gildo Neves Baptista, a ideia surgiu a partir das missões empresariais organizadas pela companhia nos últimos dois anos.

Percebemos oportunidades de acesso a financiamentos chineses que vão de 200 mil até 20 milhões de yuans. São valores relevantes, sobretudo para pequenas e médias empresas, considerando que cada yuan vale hoje cerca de R$ 0,76”, afirma.

Para se qualificar, empresas brasileiras precisam ter endereço comercial na China — que pode ser uma filial no HubBrasilChina — e registro equivalente ao CNPJ. Isso permite transferir mercadorias entre países sem tributação, como no caso de filiais no Brasil.

Conteúdo prático e expertise

As aulas são baseadas na legislação chinesa e contam com a experiência do professor de Relações Internacionais Luís Othon Bastos, da Universidade de Pernambuco, que viaja à China desde 2002. Além do conteúdo didático, haverá mentorias ao vivo com dicas sobre negociações e aspectos culturais chineses.

Primeiras parcerias

A proposta ganhou forma em março, durante missão a Macau, com a assinatura de um acordo entre a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia de Niterói e o Grupo Teleport. A parceria prevê cursos profissionalizantes em tecnologia chinesa, capacitação para exportações e uma pós-graduação em comércio exterior.

“Vamos trazer cursos profissionalizantes em tecnologia chinesa, para que mais pessoas possam atuar no mercado de consertos de equipamentos importados da China. Também queremos fortalecer relações entre o empresariado de Niterói com o comércio chinês com diversas ações para capacitá-los a exportar. E, por último, vamos fazer um curso de pós-graduação em comércio exterior para preparar estudantes a fim de multiplicar o comércio entre o Brasil e a China”, declarou a secretária Juliana Benício durante a assinatura do acordo.

O modelo, segundo Gildo Neves Baptista, que é também diretor Geral da Escola China Brasil, pode ser replicado em qualquer município brasileiro, sem custos diretos para a prefeitura, mas com contrapartidas locais. A oferta de cursos, por exemplo, para reparo de equipamentos importados também busca prolongar a vida útil dos produtos e reduzir o lixo eletrônico.

“Retornando para uso próprio ou venda no mercado de usados , os equipamentos vão circular num mercado binacional com mais de 1,5 bilhão de pessoas”, detalha o presidente do Grupo Teleport.

Cenário geopolítico favorável

A recente crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, com sobretaxas impostas a exportações brasileiras, pode acelerar a aproximação com o mercado chinês.

“A China precisa importar quase tudo, especialmente alimentos, e vê o Brasil como parceiro estratégico”, destaca Luís Othon Bastos.

Segundo o professor, cerca de um terço da população da China está nas classes A e B, o que significa cerca de 500 milhões de pessoas que valorizam muito os produtos brasileiros porque são feitos com energia limpa. “Eles não se importam em pagar mais por produtos made in Brasil”, observa.

Visão estratégica

Presente no evento, o presidente do Instituto de Pesquisas Estratégicas em Relações Internacionais e Diplomacia (Iperid), Gilberto Freyre Neto, ressaltou que Pernambuco e o Brasil têm papel relevante nas relações internacionais, inclusive pela herança histórica ligada à antiga Rota da Seda. “É uma relação ganha-ganha, baseada em laços históricos, culturais e econômicos”, afirmou.

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Luciana Leão

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