Ouro no Sertão: novo estudo revela potencial inédito em Pernambuco

Por Luciana Leão

Antes visto apenas como território desafiador, o sertão nordestino agora se projeta como nova fronteira de oportunidades para a mineração nacional. Um estudo inédito divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou áreas com alto potencial para a ocorrência de ouro entre os municípios de Serrita e Salgueiro, em Pernambuco.

O Mapa de Prospectividade para Ouro do Distrito Serrita-Salgueiro, publicado em julho deste ano, integra o Projeto Ouro Brasil e identifica zonas especialmente favoráveis à presença do metal precioso no subsolo. A metodologia usada combina dados geológicos, geoquímicos e geofísicos, oferecendo uma base técnica confiável para orientar investimentos e promover uma mineração mais segura e sustentável.

“O mapa permite enxergar onde estão as maiores chances de ocorrência de ouro, com base em critérios técnicos validados. É um material que pode atrair investidores e estimular o desenvolvimento mineral da região”, afirmou o SGB, em comunicado.

Região analisada

A área estudada está inserida na Província Borborema, que se destaca por sua geologia complexa e histórica. A análise se apoia em três pilares fundamentais para a formação de depósitos minerais: fontes de fluidos e metais, fontes de energia e condutos para a migração desses fluidos.

Além disso, os pesquisadores destacam “gradientes de deposição”, onde o ouro, dissolvido nos fluidos, se precipita e se acumula em ambientes propícios, como fraturas rasas ou veios de quartzo.

O estudo mostra que o ouro está associado principalmente aos xistos do Complexo Salgueiro e aos granitos da Suíte Serrita, litologias que têm histórico de abrigar mineralizações auríferas”, apontou o SGB.

A validação do modelo se baseou em 37 ocorrências conhecidas de ouro na região. Dessas, 35% coincidem com áreas de alto e muito alto potencial, mesmo representando apenas 8,5% da área total. “Esse resultado mostra a precisão do modelo e reforça sua utilidade prática para orientar a prospecção”, concluiu o órgão.

Entre os locais com atividade registrada estão as minas e garimpos de Sítio Algodões / Batuta, Proming, Sítio Gavião, Monte Alegre e Cabaceiras I, que indicam um cenário já parcialmente explorado, mas ainda longe de esgotado.

Novo horizonte para o Sertão

Mais do que um levantamento técnico, o Mapa de Prospectividade reacende as esperanças de desenvolvimento econômico no semiárido nordestino.

Com a demanda crescente por ouro no mercado internacional — tanto como ativo financeiro quanto insumo tecnológico —, Pernambuco pode ganhar protagonismo no setor.

“O mapa é um convite à pesquisa mineral responsável. Queremos incentivar o investimento, gerar emprego e renda, mas com atenção ao meio ambiente e às comunidades locais”, reforçou o SGB.

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Luciana Leão

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