Nova estrutura vai estudar potencial do mar e reforçar necessidade de preservação ambiental e inclusão produtiva
Num momento em que a economia global enfrenta incertezas e o Brasil busca caminhos sustentáveis para o desenvolvimento, a Bahia dá um passo estratégico com a criação do Centro Avançado de Pesquisa e Desenvolvimento da Economia Azul. A proposta, aprovada no edital INCITE II da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), pretende aprofundar o conhecimento sobre as riquezas que vêm do mar — e como protegê-las.
A chamada “economia azul” diz respeito ao uso sustentável dos recursos dos oceanos, mares, rios e zonas costeiras para geração de emprego, renda e inovação. Vai além da pesca: envolve transporte marítimo, turismo náutico, energia renovável, biotecnologia marinha e conservação ambiental. Em um estado como a Bahia, com mais de mil quilômetros de litoral e um dos maiores ecossistemas costeiros do país, o tema é estratégico.
O centro será implantado com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), que atuará na articulação de políticas públicas, captação de investimentos e fortalecimento das cadeias produtivas da zona costeira. A proposta é reunir ciência, inovação e inclusão para criar soluções voltadas à Baía de Todos-os-Santos, um dos territórios mais simbólicos e desafiadores do estado.
Qualificação profissional
Além da pesquisa acadêmica, o projeto vai oferecer programas de qualificação profissional, extensão tecnológica e diálogo com as comunidades locais. A ideia é gerar conhecimento aplicável, estimular a economia das águas e promover um modelo de desenvolvimento que respeite o meio ambiente e beneficie as populações costeiras.
“A criação desse centro é mais que uma conquista institucional. É uma aposta em um futuro mais sustentável, com oportunidades reais para quem vive do mar e para quem depende dele”, afirmou o secretário da SDE, Angelo Almeida.
A iniciativa envolve uma ampla rede de universidades e instituições baianas, como o IF Baiano, UFBA, UFRB, UNEB, UEFS, UCSal e Unifacs, além de órgãos estaduais como a Secretaria do Meio Ambiente, a Bahia Pesca e a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Com duração prevista de 36 meses, o projeto busca integrar saberes, desenvolver tecnologias e contribuir para que o mar continue sendo fonte de vida — e não de disputa ou degradação.

