O governador do Maranhão, Carlos Brandão, foi o entrevistado do programa Metrópoles Entrevista, conduzido pelo jornalista Paulo Cappelli. Durante a conversa, Brandão abordou temas decisivos para o país e para o Nordeste, com destaque para o novo tarifaço anunciado pelo ex-presidente Donald Trump, que eleva em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos a partir de 1º de agosto.
Brandão chamou atenção para o impacto direto sobre o setor de celulose, com destaque para fábricas instaladas na Bahia e no Maranhão. Segundo ele, o aumento tarifário deve representar uma queda de 16% nas exportações de celulose desses estados para o mercado norte-americano.
“No Porto do Itaqui, exportamos basicamente soja e milho para a China e para a Espanha. Mas o setor de celulose é fortemente ligado aos EUA. Esse será o mais afetado”, disse.
Ele destacou ainda que o Brasil importa grande parte dos combustíveis pelo Porto do Itaqui, o que pode gerar um efeito cascata caso o governo federal opte por medidas retaliatórias. “Se houver tributação recíproca, 70% do combustível que chega pelo nosso porto pode ser afetado, prejudicando o agro e os postos de gasolina”, alertou.
Brandão defendeu uma resposta articulada com o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. “Teremos reunião com os governadores do Nordeste. Não cabe agir isoladamente. É preciso escutar a liderança federal, que compreende o contexto nacional”, afirmou.
Políticas sociais
Além da questão comercial, o governador também destacou o avanço das políticas sociais no Maranhão, como o programa Maranhão Livre da Fome, que já retirou cerca de um milhão de pessoas da extrema pobreza.
O programa distribui cartões de R$ 200, com bônus de R$ 50 por criança de até 6 anos, e conta com ações complementares como qualificação profissional, exames, cirurgias e distribuição de óculos e medicamentos.
Eleições
Sobre as eleições de 2026, Brandão foi direto: “Este ano é de gestão. Já entregamos mais de três mil obras. Não é hora de discutir sucessão.”
Em relação ao ministro Flávio Dino, o governador afirmou que há um distanciamento natural, mas mantém o respeito. “Eu estou na política, ele está no STF. Cada um cumpre sua função.”
Carlos Brandão encerrou reforçando seu perfil municipalista e a construção de alianças amplas. “Trabalho com a esquerda, centro e direita. O importante é servir ao povo do Maranhão.”

