Itamaraty cita cenas de Trump com Zelensky e Ramaphosa para justificar costura prévia: “improvisação e voluntarismo aqui não cabem”
247 – A avaliação dentro do Ministério das Relações Exteriores é de que uma eventual conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa extra de 50% às exportações brasileiras precisa ser cuidadosamente articulada. Segundo o g1, diplomatas afirmaram que qualquer diálogo direto entre os líderes deve ser construído por meio de tratativas entre os representantes do Palácio do Planalto e da Casa Branca, evitando improvisos que possam resultar em constrangimentos.
O alerta é motivado pelo comportamento recente de Trump em interações públicas com outros chefes de Estado. Em conversa com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump adotou tom agressivo e o acusou de ser “desrespeitoso” com os Estados Unidos. Em outro episódio, no Salão Oval, apresentou supostos vídeos de um “genocídio branco” na África do Sul durante encontro com o presidente Cyril Ramaphosa — imagens cuja veracidade não foi comprovada.
Risco de desgaste diplomático – Uma comitiva de senadores brasileiros que está em Washington passou a defender que Lula ligue diretamente para Trump. A sugestão, porém, enfrenta resistência entre diplomatas. “Telefonema entre presidentes não se improvisa, requer uma preparação prévia. Em casos de crise como a atual, mais ainda”, afirmou um diplomata sob condição de anonimato. Segundo ele, quando não há articulação sólida por trás do contato, podem ocorrer situações constrangedoras como as registradas recentemente. Outro diplomata reforçou que “ambos os presidentes já deixaram aberta a possibilidade [de conversa] em declarações à imprensa, mas improvisação e voluntarismo aqui não cabem”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também defendeu a necessidade de uma preparação prévia. Segundo ele, a articulação é indispensável para que “os dois povos se sintam valorizados na negociação”. Haddad afirmou ainda que “é papel nosso, dos ministros, azeitar os canais, para que a conversa, quando ocorrer, seja mais dignificante e edificante possível”, acrescentando que já houve “várias conversas que não foram respeitosas”.“Tem de haver uma preparação antes para que seja uma coisa respeitosa. Não haja um sentimento de vira-latismo, de subordinação”, ressaltou.

