Por Luciana Leão
De 31 de julho a 2 de agosto, Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) recebem o International Coop Semiárido (ICS), reunindo especialistas do Brasil e do mundo para discutir inovação, sustentabilidade e os desafios impostos pela crise climática ao Semiárido. O evento, que integra as comemorações do Ano Internacional do Cooperativismo (2025), promete gerar propostas que serão levadas à COP 30, em Belém (PA), em novembro de 2025.
Em um momento marcado pela crise climática e por desafios globais, como as políticas protecionistas que afetam economias emergentes, o Semiárido brasileiro – um verdadeiro oásis na produção de frutas do país – se prepara para ser palco de um dos debates mais relevantes do ano.
Pesquisadores, investidores, representantes governamentais e lideranças do setor cooperativo internacional confirmaram presença no encontro, que acontecerá no Complexo Multieventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Com programação intensa de palestras, workshops e painéis, o ICS abordará recursos hídricos, energia renovável, tecnologia, educação e economia solidária.
Temáticas e convidados

“As mudanças climáticas estão diretamente ligadas à qualidade das políticas públicas e à pressão da sociedade sobre seus líderes. Nosso trabalho busca entender como essas dinâmicas moldam as estratégias ambientais e os esforços de adaptação”, afirma o cientista político Anthony Calacino, pesquisador da Universidade de Oxford, que apresenta os resultados de uma pesquisa sobre política e meio ambiente.
O doutor em Engenharia de Produção Hélio Gomes de Carvalho, que ministrará a palestra “Inovação como estratégia de crescimento sustentável das cooperativas do Semiárido”, reforça o papel central do setor: “Por meio da criatividade e da inovação, as cooperativas do Semiárido podem ser protagonistas de uma transição justa e sustentável, fortalecendo territórios e garantindo qualidade de vida para as futuras gerações.”
Para a professora Herbênia Cruz (UNEB), o ICS vai além do debate: “Até o final do evento, teremos um manifesto com diretrizes para o Semiárido, que será apresentado na COP 30, em Belém, em 2025.”
A docente da UPE Petrolina Elâine Maria dos Santos Ribeiro destaca o vínculo com o desenvolvimento local: “O setor cooperativo é uma das bases da economia solidária, valorizando cultura, biodiversidade e qualidade de vida.”
Realização e Apoio
Realizado pela WEX, com apoio das instituições do Sistema OCB em Pernambuco e Bahia, e patrocínio da Unimed Vale do São Francisco e Sicredi, o ICS reunirá também Embrapa, IRPAA, Univasf, UNEB e UPE, entre outras instituições, para apresentar propostas concretas de desenvolvimento sustentável para o Semiárido.
Para o presidente do Sistema Oceb, Cergio Tecchio, a realização do ICS tem como propósito principal a discussão e reflexão de como as cooperativas e o cooperativismo podem e devem contribuir para o desenvolvimento da região do Semiárido. “Discutir o Semiárido nordestino é discutir o bioma Caatinga, a população que vive nele, a economia, a realidade do semiárido brasileiro e nordestino”, ressaltou.
De acordo com o presidente do Sistema OCB/PE, Malaquias Ancelmo de Oliveira, o Semiárido nordestino é muito especial porque nele vive uma grande população, diferentemente de outras regiões semelhantes no mundo.
“É preciso considerar o aspecto rural, da produção, da sustentabilidade, e, também, cuidar do urbano, com grandes aglomerações urbanas, problemas e soluções complexas. A grande discussão é como viver com qualidade nessa região, que chove pouco e de forma irregular, e construir uma sociedade com mais equidade e melhoria nas condições de vida”, questiona.
A Revista NORDESTE foi convidada pelo Sistema OCB-PE e acompanhará o evento in loco, registrando as principais discussões e desdobramentos.
Para maiores informações sobre o evento, acesso o site: www.ics.coop.


Excelente ter um manifesto com diretrizes para o Semiárido apresentado na COP 30, em Belém/25. Aguardamos a cobertura da Revista!!!!