Itamaraty denuncia uso político de tarifas comerciais por parte do governo dos Estados Unidos e recebe apoio do Brics e da UE
247 – O governo brasileiro aproveitou uma das sessões mais importantes da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada nesta quarta-feira (23), para criticar abertamente o uso de tarifas comerciais por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citar diretamente o nome do mandatário estadunidense, o Itamaraty classificou as medidas como interferências inaceitáveis em assuntos internos de outros países — o que gerou o apoio de membros do Brics como Rússia e China, e provocou resposta imediata da diplomacia dos EUA. As informações são da coluna do jornalista Jamil Chade, do UOL.
A crítica brasileira é motivada pelas recentes tarifas de 50% impostas por Trump contra produtos brasileiros, supostamente relacionadas à situação legal de Jair Bolsonaro (PL) réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado. A prática, no entanto, não estaria restrita ao Brasil, tendo sido adotada também contra países como Colômbia, México, Canadá e a própria Rússia. Para o Itamaraty, esse tipo de política constitui uma ameaça ao sistema de comércio multilateral.
Sem mencionar Trump nominalmente, Gough afirmou que “tarifas arbitrárias, anunciadas e implementadas de forma caótica, estão desestruturando as cadeias globais de valor e correm o risco de lançar a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação”. Para o governo brasileiro, as tarifas violam princípios fundamentais da OMC, especialmente os relativos à não discriminação e ao tratamento de nação mais favorecida. “Elas perturbam o equilíbrio das condições de acesso ao mercado negociadas nas estruturas do GATT e da OMC por várias décadas”, apontou o embaixador.

