Quatro cidades de Pernambuco estão entre as piores do Brasil em saneamento

 

Por Luciana Leão

 

O Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil e GO Associados, evidencia o atraso histórico no acesso a serviços de água e esgoto em várias regiões do país — e Pernambuco aparece com destaque negativo. O estado tem quatro cidades entre os 20 piores municípios mais populosos do Brasil em indicadores de saneamento básico, empatando com o Rio de Janeiro no topo da lista dos estados com mais municípios em situação crítica.

Além disso, o Nordeste responde por sete dos 20 piores municípios do ranking. O caso mais simbólico é o do Recife, que figura entre as oito capitais brasileiras com os piores indicadores, ao lado de Maceió (AL), São Luís (MA), e cidades do Norte como Manaus (AM), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).

Base de informações

Os dados, com base no Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA), revelam que os 20 piores municípios investiram, em média, R$ 78,40 por habitante ao ano entre 2019 e 2023 — um valor 65% abaixo do mínimo recomendado para atingir a universalização dos serviços, estimado em R$ 223,82.

Em contraste, cidades entre as 20 melhores do ranking, como Campinas (SP) e Limeira (SP), investiram cerca de R$ 176 por habitante/ano e apresentam cobertura próxima da universalização.

Esta edição do Ranking ressalta que, além da necessidade de os municípios garantirem o acesso universal à água potável e à coleta de esgoto, o tratamento do esgoto se destaca como o indicador mais distante da universalização nas cidades, representando o principal desafio a ser superado. É imprescindível trazer o saneamento para o centro das discussões dos Prefeitos e Prefeitas em todo Brasil e priorizá-lo nas políticas públicas“, afirma Luana Siewert Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.

No mais,  segundo a executiva, enquanto país-sede de um dos maiores eventos de sustentabilidade do mundo, a COP-30 se abre como oportunidade para que sejam discutidos profundamente os temas de água e saneamento, a fim de que se encaminhem soluções coletivas que vão de encontro à universalização dos serviços no menor tempo possível, acrescenta Luana Pretto.

Já para Gesner Oliveira, sócio executivo da GO Associados, “o Ranking do Saneamento de 2025 continua a refletir as desigualdades regionais do Brasil também no acesso ao saneamento. Enquanto preponderam nas 20 primeiras posições municípios localizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país, as 20 últimas são majoritariamente compostas por municípios das regiões Norte e Nordeste. O investimento médio por habitante nos 20 municípios piores colocados é de apenas R$ 78,40, quase três vezes menos do que o necessário para a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033”.

Além da infraestrutura

O impacto da baixa cobertura em saneamento vai além da infraestrutura: afeta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e o desenvolvimento urbano. No caso de Maceió, por exemplo, o índice de perdas na distribuição de água chegou a 71,73%, o mais alto entre todas as capitais.

O relatório reforça que municípios do Norte e Nordeste concentram os piores indicadores, enquanto os melhores desempenhos estão no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A universalização dos serviços até 2033, como prevê o Novo Marco Legal do Saneamento, exige um aumento expressivo dos investimentos, especialmente nas regiões mais vulneráveis.

A edição completa do estudo, com o desempenho das 100 cidades mais populosas do país, está disponível em: www.tratabrasil.org.br

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