Estudo aponta que regeneração produtiva em assentamentos pode gerar emprego, alimento e mais água no semiárido do RN

Por Luciana Leão

Com 95% do território coberto pela Caatinga, o Rio Grande do Norte está entre os estados mais vulneráveis à desertificação no semiárido brasileiro, o que compromete a disponibilidade de água e a produção de alimentos. Um novo estudo do Instituto Escolhas lançado nesta terça-feira (8) mostra que é possível reverter parte desse cenário ao recuperar áreas degradadas em assentamentos da Reforma Agrária, com sistemas agroflorestais (SAFs).

De acordo com o levantamento, a recuperação produtiva de 11,5 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nesses assentamentos pode gerar mais de 50 mil empregos, remover 843,5 mil toneladas de CO₂ da atmosfera e produzir mais de 3 milhões de toneladas de alimentos diversificados, como frutas, verduras e legumes. Além de fortalecer a economia local, os SAFs colaboram para conservar recursos hídricos, já que grande parte das APPs estão no entorno de nascentes e fontes d’água.

Rafael Giovanelli, coordenador do Instituto Escolhas para a série de estudos no bioma Caatinga

Essas áreas potenciais de serem regeneradas estão localizadas nas APPs dos assentamentos da reforma agrária. São matas de beira de rio, cursos d’água, nascentes”, destaca Rafael Giovanelli, coordenador do estudo no Instituto Escolhas, ao site da Revista Nordeste.

Atualmente, o Rio Grande do Norte tem 275 assentamentos federais, que abrigam cerca de 18 mil famílias. Juntos, esses assentamentos ocupam 487 mil hectares — dos quais mais de 33 mil são APPs. Desses, 11,5 mil hectares estão desmatados e podem ser regenerados com sistema agroflorestal.

A estimativa do Instituto Escolhas é que, em 30 anos, o projeto gere R$ 3,27 bilhões em receita líquida, valor quase três vezes maior do que o investimento previsto de R$ 1,11 bilhão.

O estudo faz parte de uma série sobre os benefícios da recuperação produtiva da Caatinga e também já analisou áreas em Pernambuco e no Ceará. A proposta é subsidiar políticas públicas e soluções que unam conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico no semiárido nordestino.

 

 

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