De olho no Poder, políticos de Brasília afinam a viola para 2026, por José Natal

Por José Natal *

 

Em Brasília, sem nenhum constrangimento, e com cenas explícitas de sinceras intenções, está aberta a temporada de caça ao voto de olho nas eleições de 2026. E essa busca tira da toca integrantes de todas as tribos, cada um começando a vender seu peixe com as ferramentas que tem, defendendo a tese antiga de que, chega na frente quem larga primeiro. João Saldanha, o nosso lendário jornalista, escritor, militante político e treinador de futebol, já dizia que “quem mora na vila conhece os caboclos.”

A vila não é tão grande assim, e quem por ela circula já percebeu e capturou esses sinais. Quem acompanhou de perto ou pela mídia as arruaças trágicas de 8 de janeiro de 2022 na Capital da República, deve se lembrar do nome de Ricardo Cappelli, nomeado pelo presidente Lula como interventor de segurança pública para investigar com amplos poderes tudo o que aconteceu naquele dia fatídico.

Cappelli, com 53 anos, e especialista em comunicação, fez um trabalho eficiente e ganhou notoriedade pela austeridade e disciplina. Hoje, o presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI – Cappelli foi indicado por seu partido (PSB) como candidato ao Governo do DF, talvez a grande novidade da disputa. No dia 8 deste mês lança o livro “O 8 de janeiro que o Brasil não viu”, num relato minucioso de tudo que aconteceu na Capital do País naquele dia. Para especialistas, o lançamento do livro dá a largada para os objetivos políticos do ano que vem.

Outro pretendente

Ibaneis Rocha, Governador da cidade, geralmente discreto e distante dos vídeos, nos últimos dias tem dado seu recado aos eleitores, ressaltando em comerciais na TV os feitos de seu governo, listando obras de sua gestão. Ibaneis ano que vem deixa o GDF, mas desde já aponta seu dedo para o voto em Celina Leão, escolhida por ele para o cargo. Fazer obras dá voto, e Ibaneis quer mostrar isso.

Celina, com 48 anos, e na vida política desde 2016, já anunciada candidata, é forte concorrente ao posto. O número exato de desafiantes na busca de votos ainda não está confirmado, mas ao que se sabe pelo menos uma outra forte concorrente já se anunciou postulante, e seu nome também já desperta a atenção do eleitor.

Trata-se da distrital Paula Belmonte, do Cidadania, defensora ferrenha dos direitos da mulher e das crianças, com sinais evidentes de cuidados com a política social. Belmonte tem 52 anos, boa oratória e nos últimos meses tem marcado presença junto às comunidades carentes, e seu recado político é plural, gera expectativa.

Até agora há um mistério sobre o nome que de fato representará o Partido dos Trabalhadores em 2026 na eleição do DF. Sabidamente, o ambiente político da Capital da República tem um viés bolsonarista robusto, e essa demora na escolha de um nome que vá representar Lula, e dele ganhar o apoio já preocupa os militantes.

Ainda estamos na metade do ano de 2025, mas quem leva a sério e sabe a importância de se divulgar fatos e feitos da vida política, já está com o bloco nas ruas, buscando espaços.

Como sempre acontece, nos bastidores do cenário agitado de possíveis candidaturas as especulações ganham ingredientes. Especula-se, por exemplo, qual será a postura do ex-governador José Roberto Arruda nas próximas eleições, caso ele se livre de vez das limitações jurídicas que o impedem de ser candidato. Em silêncio, Arruda mantém o mistério.

O ex-governador Rodrigo Rollemberg, bem avaliado pelas pesquisas durante sua gestão, recém diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral como Deputado Federal pelo PSB, aos 66 anos tem espaço assegurado e influente nas próximas eleições. Presidente do PSD local, o empresário Paulo Octávio tem o apoio do líder do partido, Gilberto Kassab, que garante a ele incentivo integral e absoluto a qualquer que seja sua opção quanto aos movimentos eleitorais do ano que vem.

A ocupação de uma cadeira no Senado Federal também já acelera o movimento dos possíveis candidatos que o brasiliense terá que escolher. Alguns desses nomes já estão na prancheta dos partidos, e o anúncio das candidaturas na boca do povo. O MDB não faz segredos, e anuncia que Ibaneis Rocha, quando deixar o GDF, seguirá como nome forte do partido rumo ao Senado.

Michelle

Com um saldo positivo em várias pesquisas, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro tem seu nome citado inclusive para ser candidata à presidência da república. Seu bom desempenho como presidente do PL Mulher tem dado a ela credenciais até para que faça escolhas.

Ao que tudo indica, vai depender dela mesmo a decisão entre uma candidatura ao Senado ou à presidência da república. Pelo andar da carruagem, Valdemar Costa Neto, como presidente do PL e Jair Bolsonaro, como ex-presidente da república estão sendo deixados de lado quanto a essa escolha. As declarações de Michelle não deixam dúvidas quanto a isso.

Outros nomes

Ainda no cenário de debates sobre nomes e candidaturas ainda em análise, os nomes de Damares Alves e Bia Kicis também frequentam as salas de reuniões partidárias.

Na pauta de todos eles, já candidatos anunciados, ou à espera de indicações, há um consenso sobre o que virá após a decisão do Supremo Tribunal Federal, que julga os envolvidos no episódio de 8 de janeiro de 2022, e aqueles diretamente citados nas denúncias de um possível golpe de estado.

Não há como evitar que o resultado desse julgamento fique de fora das campanhas eleitorais de 2026, em todo o país. Para algumas delas, definitivamente, esse resultado será o fiel da balança, para o bem ou para o péssimo.

 

*José Natal é jornalista
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