Investimentos chineses avançam no Nordeste com energia limpa, indústria e infraestrutura

A inauguração do Complexo Solar Lagoinha, em Russas (CE), marca mais um passo no avanço dos investimentos da China no Nordeste. O grupo CGN, gigante do setor de energia, entra no mapa regional com um projeto capaz de abastecer cerca de 200 mil residências, somando-se a outras iniciativas de peso, como a ponte Salvador-Itaparica e a montadora de veículos elétricos BYD, na Bahia. Para o governo e para as empresas chinesas, o movimento reforça a transição energética e o reposicionamento industrial da região.

Com capacidade instalada de 165 megawatts em uma área de mais de 300 hectares, o Complexo Solar Lagoinha é o primeiro projeto solar greenfield desenvolvido pela CGN Brasil — braço nacional da CGN Energy International Holdings, presente em 15 países.

No Ceará, o empreendimento reforça o polo de geração de energias renováveis, que já soma 55 plantas solares em operação, além de projetos de hidrogênio verde e parques eólicos onshore e offshore.

Para o governador Elmano de Freitas, o investimento simboliza uma nova forma de relacionamento internacional e ressignifica o potencial do sol para a economia local. “Esse mesmo sol, que tantas vezes castigou o nosso povo, agora se transforma em esperança de geração de riqueza e oportunidades”, disse durante a inauguração, que ocorreu no dia 26 de junho.

Movimentos pelo Nordeste

A movimentação do grupo CGN soma-se a outros investimentos chineses robustos no Nordeste. Na Bahia, por exemplo, a construtora CR20 lidera as obras da ponte Salvador-Itaparica, considerada a maior obra de infraestrutura em curso no país, com aporte de cerca de R$ 12 bilhões. Também no estado baiano, o grupo BYD instalou, no antigo polo da Ford, em Camaçari, uma fábrica de carros elétricos, reforçando o reposicionamento industrial da região. Projeção é que seja inaugurada ainda neste semestre.

Para o presidente da CGN Brasil, Zhigang Yao, o projeto de Russas mostra o compromisso da empresa com a descarbonização. “Seguimos os passos sólidos na parceria com o Brasil para produzir energia renovável para a população. Estamos contribuindo para a transição energética do país. Com a nossa capacidade de gerar energia aqui, o Complexo evitará a emissão de 350 mil toneladas de dióxido de carbono”, afirmou.

Segundo dados da Aneel, a perspectiva de expansão de projetos de energia renovável é promissora: são 419 empreendimentos de energia limpa contratados, com potencial adicional de 15,9 gigawatts no país, boa parte concentrada no Nordeste.

Para moradores como Raimunda Sombra, que trabalha na manutenção do complexo solar de Russas, o impacto é direto. “É uma oportunidade para toda a comunidade. É muito maravilhoso para a região”, afirmou.

*Com informações do Governo do Ceará
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Luciana Leão

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