Impulsionado pela demanda de soja e combustíveis, o Porto do Itaqui, no Maranhão, consolidou-se em abril como o maior polo exportador de commodities do Nordeste, respondendo sozinho por quase metade de toda a carga movimentada na região.
Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os portos organizados do Nordeste movimentaram 7,7 milhões de toneladas no mês, um crescimento de 7% em relação a abril de 2024.
A soja foi o destaque, com 2 milhões de toneladas, alta de 15,4% frente ao mesmo período do ano passado — todo esse volume escoou por Itaqui, que também movimenta combustíveis e minérios. O porto maranhense totalizou 3,3 milhões de toneladas em abril, avanço de 12,4% no comparativo anual.
Com esse desempenho, Itaqui reforça sua posição estratégica como hub de grãos e derivados produzidos no Centro-Oeste e no próprio Nordeste. Para efeito de comparação, o Porto de Suape, em Pernambuco, ficou em segundo lugar na região, com 1,8 milhão de toneladas, quase metade do total movimentado por Itaqui.
Para o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, o bom resultado mostra o impacto dos investimentos recentes. “O crescimento dos principais terminais do Nordeste mostra que o planejamento do Governo Federal para fortalecer o modal vem sendo bem executado. Os recursos aplicados nos últimos dois anos já elevam os indicadores econômicos das cidades portuárias”, avalia.
Outros destaques
Além da soja, a movimentação de contêineres avançou 9,2%, somando 1,1 milhão de toneladas em todos os portos organizados da região. Já os fertilizantes tiveram alta expressiva de 39,2%, chegando a 600 mil toneladas.
No Rio Grande do Norte, o Porto de Areia Branca, principal via de escoamento da produção nacional de sal, também se destacou: foram 376 mil toneladas movimentadas, alta de 56,9% em relação a abril do ano passado.
No total de cargas, Areia Branca registrou o maior crescimento percentual da região, com 436 mil toneladas — aumento de 82,3% na comparação anual.
Portos organizados e TUPs: entenda a diferença
No Brasil, os portos organizados são áreas públicas delimitadas e administradas por uma autoridade portuária, com infraestrutura como cais, armazéns e retroárea, sob regulação da Antaq. Empresas podem arrendar terminais dentro dessas áreas para movimentar cargas de diferentes clientes.
Já os Terminais de Uso Privado (TUPs) ficam fora da área do porto organizado e pertencem a grupos privados, sendo voltados principalmente para movimentar cargas próprias, como minério, celulose ou combustíveis.

