A arqueóloga e historiadora Niède Guidon, que revolucionou os achados históricos humanos nas Américas , idealizadora do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, morreu aos 92 anos, na madrugada desta quarta-feira, 4, em São Raimundo Nonato, Piauí. A causa da morte não foi divulgada.
Formada em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP), Niède Guidon foi uma desbravadora da ocupação humana nas Américas. Na década de 1980, liderou escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, onde encontrou vestígios humanos datados de até 32 mil anos atrás, contrariando a teoria de que os primeiros habitantes chegaram ao continente há cerca de 12 mil anos.
Legado científico e cultural
Nascida em Jaú, São Paulo, em 12 de março de 1933, Guidon teve sua carreira foi marcada por descobertas que desafiaram paradigmas sobre o povoamento das Américas. Ela foi a principal idealizadora do Parque Nacional da Serra da Capivara, criado em 1979, que abriga mais de 800 sítios arqueológicos, sendo mais de 600 com pinturas rupestres. O parque é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e é considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do planeta.
Reconhecimentos e prêmios
Ao longo de sua carreira, Guidon recebeu diversas honrarias, incluindo o Prêmio Príncipe Claus, o Prêmio Cientista do Ano da SBPC e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico. Em 2020, foi agraciada com o Hypatia Award por seu trabalho na criação e conservação do Parque Nacional da Serra da Capivara. Além de suas contribuições científicas, Guidon fundou o Museu do Homem Americano e promoveu iniciativas para o desenvolvimento sustentável da região, como a criação de escolas e a fundação da Cerâmica da Capivara, que gera emprego e renda para mulheres locais.
Guidon deixa um legado inestimável para a ciência e a cultura brasileira, sendo lembrada como uma das maiores defensoras do patrimônio pré-histórico do país.

