Interrogatório de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado é marcado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrou nesta segunda-feira (2) a fase de depoimentos das testemunhas no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros sete réus do chamado “núcleo 1” da trama golpista.

Desde o início das oitivas, em 19 de maio, foram ouvidas 52 testemunhas indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pela acusação, e pelas defesas dos investigados. O último a depor foi o senador Rogério Marinho (PL-RN), arrolado em defesa de Bolsonaro e do general Braga Netto.

Durante o depoimento, Marinho afirmou que não presenciou qualquer indício de tentativa de ruptura institucional por parte dos dois acusados. Segundo ele, Bolsonaro se mostrou triste com o resultado das eleições de 2022, mas estava “preocupado com o processo de transição” e teria designado o então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para conduzir a interlocução com o novo governo.

“Vi o presidente preocupado com o desbloqueio de rodovias e com o direito de ir e vir, para que não houvesse acusação de que ele estaria dificultando a economia ou a transição”, declarou o parlamentar.

Próxima etapa: interrogatório dos réus

Com o encerramento da fase das testemunhas, o próximo passo será o interrogatório dos réus, marcado para a próxima segunda-feira, 9 de junho. A expectativa é que o julgamento ocorra ainda este ano, com possibilidade de penas superiores a 30 anos de prisão, caso haja condenação.

Os crimes atribuídos aos réus são:

  • Organização criminosa armada

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

  • Golpe de Estado

  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça

  • Deterioração de patrimônio tombado

Quem são os oito réus do núcleo central

A denúncia foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março. Os réus são acusados de integrar o núcleo central do plano golpista:

  1. Jair Bolsonaro – ex-presidente da República

  2. Walter Braga Netto – general do Exército, ex-ministro e ex-candidato a vice-presidente

  3. General Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional

  4. Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

  5. Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do DF

  6. Almir Garnier – ex-comandante da Marinha

  7. Paulo Sérgio Nogueira – general do Exército e ex-ministro da Defesa

  8. Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e atualmente delator

com Agência Brasil

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Wallyson Costa

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