Mesmo atuando em um dos setores mais intensivos em emissões de carbono, a Cimento Apodi investiu mais de R$ 25 milhões na construção de um parque solar próprio, dando um passo concreto rumo à descarbonização de suas operações. A iniciativa representa uma virada na estratégia ambiental da empresa, que busca compensar os impactos da produção de cimento com soluções de energia limpa e inovação tecnológica.
Instalada em uma área de mais de 90 mil m² no Distrito Industrial Bom Sucesso, em Quixeré (CE), a Usina Fotovoltaica Cimento Apodi tem potência instalada de 5.000 kW e conta com 10.080 módulos solares. A geração estimada é de 8.858 MWh por ano, o suficiente para suprir até 10% da demanda elétrica da fábrica e evitar a emissão de aproximadamente 482 toneladas de CO₂ anualmente.
“Acreditamos que o papel da indústria no século XXI vai além da produtividade: é preciso ser agente de transformação, equilibrando crescimento econômico com responsabilidade socioambiental”, afirma Sergio Mauricio, CEO da Cimento Apodi. “O novo parque solar reafirma esse compromisso e contribui para um modelo de produção mais consciente.”
Rumo à autossuficiência energética
O projeto reforça a estratégia da empresa de ampliar a eficiência energética de suas operações. A unidade de Quixeré deverá alcançar 25% de autossuficiência em 2025 — sendo 18% por cogeração com gases quentes e 7% via energia solar.
A empresa também avança na substituição térmica, atualmente em 20%, com meta de atingir 25% até o fim de 2025. Além disso, 100% do efluente líquido tratado na planta já é reaproveitado, em linha com os princípios da economia circular.
Tecnologia e baixo carbono no centro da estratégia
Com presença estratégica no Norte e Nordeste, a Cimento Apodi é uma joint venture entre a família Dias Branco e o Grupo Titan, multinacional grega com mais de 110 anos de atuação no setor de materiais de construção. A operação industrial se divide entre o parque fabril de 3 mil hectares em Quixeré e uma unidade de moagem no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Juntas, as unidades têm capacidade para produzir mais de 2 milhões de toneladas de cimento por ano.
Para mitigar os impactos ambientais do clínquer — principal insumo do setor —, a Apodi prioriza a produção de cimentos de menor intensidade de carbono, como os tipos CP III e CP IV, que demandam menos energia e resultam em emissões reduzidas de CO₂.
Essa estratégia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às diretrizes de organismos internacionais, como a GRI (Global Reporting Initiative), que estabelece padrões globais de transparência em sustentabilidade; a SASB (Sustainability Accounting Standards Board), voltada à divulgação de informações ESG com impacto financeiro; e a TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures), que orienta o reporte de riscos e oportunidades ligados às mudanças climáticas.
Outro avanço é a adoção do Cement Mill Optimizer (CMO), sistema baseado em inteligência artificial que analisa 276 variáveis em tempo real e simula milhões de combinações a cada 30 segundos. A ferramenta otimiza o desempenho dos moinhos e reduz o consumo energético nas fábricas de Quixeré e Pecém.
“Queremos mostrar que é possível produzir com responsabilidade e impacto positivo. A sustentabilidade precisa estar presente desde a escolha da matriz energética até o relacionamento com clientes e parceiros”, reforça Sergio Mauricio.

