Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior (*)
Prezado leitor do site da Revista Nordeste, a Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB) realizará no dia 30 de maio, às 18h, uma live de lançamento do livro Celso Furtado e o Mito do Desenvolvimento 50 anos depois, uma obra que explora a trajetória do economista paraibano Celso Monteiro Furtado (1920-2004).
A coletânea é organizada por Cidoval Morais de Sousa, Fernando Nonato, José Luciano de Góis Mendonça e Marcos Terto, reunindo diversos artigos, entre eles um texto do economista paraibano Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior, que vos escreve aqui, atual diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba e conselheiro efetivo do Conselho Regional de Economia da Paraíba (CORECON-PB).
O livro, publicado pela EDUEPB, conta com o apoio do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF), do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (IDENE) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ).
A obra será lançada ao vivo pelo YouTube da Rede UEPB (acesso pelo https://www.youtube.com/@redeuepb) e transmitida diretamente de Campina Grande.
Coletânea
O objetivo da coletânea é revisitar as reflexões de Celso Furtado sobre o mito do desenvolvimento econômico. As questões levantadas pelo economista paraibano há mais de cinco décadas continuam a estimular debates essenciais.
Segundo Furtado: “O custo, em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida, é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana”.
Furtado defendia que a ideia de que os povos pobres poderiam alcançar os padrões de vida dos países ricos era irrealizável. Para Furtado, as economias periféricas jamais se desenvolveriam como as economias centrais dentro do sistema capitalista, tornando o conceito de desenvolvimento econômico universalizado um verdadeiro mito.
Memória
O livro O Mito do Desenvolvimento Econômico, de Celso Furtado, foi publicado originalmente em 1974. Furtado trouxe uma visão crítica sobre os limites ecológicos do desenvolvimento econômico global e questionou a viabilidade de replicar o modelo das economias centrais nos países periféricos, como o Brasil, Argentina e Chile, por exemplos.
Celso Monteiro Furtado nasceu em 26 de julho de 1920, na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, e faleceu em 20 de novembro de 2004, no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Foi responsável pela criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), uma das iniciativas do governo Juscelino Kubitschek (JK), além de ter sido ministro do Planejamento no governo João Goulart (1962-1963) e terceiro ministro da Cultura no governo José Sarney (1986-1988).
Ao longo de sua trajetória, Celso Furtado dedicou-se à luta por reformas estruturais no Brasil, deixando um legado fundamental para o pensamento econômico brasileiro. Sempre atuou contra as desigualdades sociais e regionais no país, promovendo políticas voltadas à inclusão social.
No entanto, sua terra natal enfrenta desafios persistentes. Em 2024, apresentou um elevado Índice de Gini do Brasil, registrando um Coeficiente de Gini de 0,513, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), refletindo uma elevada desigualdade de renda na Paraíba, onde o 1% mais ricos continuam a enriquecer, enquanto os 40% mais pobres enfrentam condições de vida cada vez mais difíceis na terra onde o Sol nasce primeiro na América.


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