Saída de Eduardo Riedel marca novo capítulo na decadência tucana e consolida avanço do bolsonarismo no Centro-Oeste
247 – O PSDB caminha para perder o comando de seu último governo estadual com a iminente saída de Eduardo Riedel, governador de Mato Grosso do Sul, rumo ao PP. A informação foi publicada pelo jornal O Globo neste domingo (25). A articulação é liderada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e representa mais um golpe na já combalida legenda tucana, que vive um processo acelerado de esvaziamento político desde as eleições de 2018.
Com a possível filiação de Riedel ao PP, o PSDB deixará de comandar qualquer estado brasileiro — um símbolo forte da decadência de um partido que, por duas décadas, protagonizou a política nacional, ocupou a Presidência da República, governou os principais estados do país e foi referência da centro-direita. A saída de Riedel se soma aos movimentos recentes dos governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, de Pernambuco, que também já ensaiam distanciamento ou ruptura com a legenda.
PP e PL articulam redistribuição de forças
A movimentação no Mato Grosso do Sul envolve não só a ida de Riedel ao PP, mas também a migração de seus principais aliados ao PL, legenda comandada por Valdemar Costa Neto e alinhada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-governador Reinaldo Azambuja e o deputado federal Beto Pereira estão entre os nomes que devem deixar o PSDB para ingressar no PL, como parte de uma engenharia política que busca contemplar ambas as siglas no projeto eleitoral de 2026.
Azambuja deve ser candidato ao Senado na chapa de Riedel. Em contrapartida, já está definido que o grupo apoiará o candidato do bolsonarismo à Presidência da República — ainda indefinido —, reforçando o alinhamento à extrema direita. Essa aliança foi iniciada nas eleições municipais de 2024, quando o PL abriu mão de lançar candidato à prefeitura de Campo Grande para apoiar Beto Pereira, então ainda no PSDB.

