Conversa Livre: Águas-mães de Salinas, por Bosco Afonso

Por Bosco Afonso

 

O Rio Grande do Norte, já se sabe, é o maior produtor de sal marinho do Brasil e aqui também está encravado maior parque salineiro da América Latina, de propriedade da Salinor, no município de Macau, sendo que o estado contribui com 95% da produção salineira do país, ficando os 5% restantes no estado do Rio de Janeiro.

As condições climáticas do RN são as melhores para a produção de sal marinho com áreas centralizadas nos municípios de Macau, Mossoró, Areia Branca, Grossos e Porto do Mangue, representando uma produção que varia entre 4 milhões a 5 milhões de toneladas por ano.

Essa produção alcançada graças a ampliação das áreas e a mecanização da colheita é voltada para a indústria de transformação, para a pecuária e o consumo humano com o sal bruto ou refinado, mas que economicamente não é considerada a mais rentável para as empresas salineiras, por quanto existem alternativas ainda não exploradas como as águas residuais de salinas, as chamadas águas-mães, que podem gerar novos empregos e rentabilidade financeira ao empresariado.

Esse processo do aproveitamento das águas-mães de salinas bem que já poderia estar em estágio bastante adiantado, pois nos anos 1980 o governo do estado, através da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais – CDM/RN conseguiu implantar em Macau, no parque de produção da Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A uma planta industrial para aprofundar estudos sobre a extração de outros componentes dessas águas residuais que tem como o principal produto fertilizantes voltados para a agricultura.

A indústria salineira, por sua vez, não aplica recursos em pesquisas para viabilizar a produção de novos produtos extraídos das águas residuais, mas além das pesquisas efetuadas pela extinta CDM/RN, a UFERSA – Universidade Federal Rural do Semi-Árido, através do professor Tiago da Rocha Silva, já disponibiliza estudos avançados constatando-se a existência de caminhos economicamente viáveis para a utilização da água-mãe após o processo de produção do sal em diversos produtos em escala comercial e semicomercial, como diz documento elaborado pelo citado professor.

Na conclusão da apresentação resumida dos estudos elaborados, o professor Tiago da Rocha Silva explicita que “Por fim, descobriu-se que, a indústria agrícola, farmacêutica e alimentícia são áreas de notável importância em que os compostos estudados são utilizados. Tais setores, têm o potencial de corroborar intrinsecamente para o desenvolvimento econômico da região”.

É hora de governos e empresariados se darem as mãos em busca de um melhor aproveitamento das águas-mães das salinas como fonte de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte.

 

 

* As opiniões dos articulistas e dos colunistas são de responsabilidade de seus autores.

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Walter Santos

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