Com o objetivo de impulsionar a produtividade e propor soluções para a bovinocultura de leite no semiárido, a Sudene e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) concluíram um diagnóstico técnico sobre a cadeia produtiva da bacia hidrográfica do Rio Piranhas-Açu, abrangendo municípios da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
A iniciativa, realizada em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e entidades locais, mapeou a realidade de pequenos produtores em Cajazeirinhas, Coremas, Paulista, Pombal e São Bento (PB), além de Jardim de Piranhas, Jucurutu e Itajá (RN), revelando um setor com potencial de crescimento, mas travado por limitações estruturais e técnicas.
“O estudo identificou o potencial de expansão produtiva em 76% dos produtores e uso crescente de forrageiras como sorgo e milho, além do interesse em capacitação técnica, sobretudo nos temas de nutrição, custos e genética”, afirmou Beatriz Lyra, coordenadora-geral de Promoção do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Sudene.
Gargalos
Apesar do cenário promissor, os entraves são significativos. Um dos dados mais preocupantes é que 36% dos produtores não realizam nenhum tipo de controle zootécnico, o que compromete o acompanhamento da produtividade do rebanho. Além disso, 59% dos entrevistados não têm acesso à assistência técnica regular. A ausência de infraestrutura básica, como silos, tanques de resfriamento e espaços adequados para ordenha, também limita a eficiência produtiva.
O perfil socioeconômico dos produtores revela predominância masculina (98%), baixa escolaridade e renda entre três e cinco salários mínimos por família. A maioria das propriedades é de pequeno porte, com menos de 100 animais, e apenas 1,53% são consideradas grandes.
Produtividade
A média de produtividade é de 9,7 litros de leite por vaca/dia, com destaque positivo para municípios como Paulista (PB) e Jucurutu (RN). O uso de concentrados e silagem ainda é restrito e, muitas vezes, sem critérios técnicos.
Na área sanitária, apenas uma minoria realiza análises de qualidade da água e quase um quarto dos produtores (24,5%) não adota nenhum protocolo de higiene na ordenha. A vacinação e os testes sanitários são razoavelmente adotados, mas o atendimento veterinário ainda é escasso e, em muitos casos, feito pelos próprios produtores.
O projeto resultou na sistematização de dados, elaboração de indicadores econômicos, mapeamento de pontos fortes e fracos da cadeia produtiva e identificação das ferramentas de gestão utilizadas no campo.
Também foram promovidas capacitações para agricultores, técnicos e estudantes, com foco na produção e estocagem de forragens. Com investimento de R$ 298,93 mil, viabilizado por Termo de Execução Descentralizada (TED) repassado pela Sudene, o estudo prevê ainda a publicação de artigos científicos e documentos técnicos para disseminar o conhecimento gerado.

