A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aprovou, nesta quarta-feira (14), mais 22 pleitos de incentivos fiscais, que somam R$ 281,2 milhões em investimentos privados distribuídos por nove estados. Os projetos contemplados prometem gerar 1.116 novos empregos diretos, com destaque para a Bahia e o Maranhão, que concentram, juntos, quase metade das empresas atendidas nesta rodada.
O volume de recursos reforça o papel dos incentivos como ferramenta estratégica para atração de capital e expansão de empreendimentos na região. Os dados revelam que os estados da Bahia e do Maranhão, com cinco projetos cada, foram os principais destinos dos investimentos autorizados. Pernambuco aparece na sequência, com quatro propostas aprovadas. Também foram contemplados empreendimentos no Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte.
Entre os projetos, o maior investimento individual parte da Paraflu do Brasil, indústria química sediada em Sooretama (ES), especializada em fluidos para radiadores. O município capixaba integra a área de atuação da Sudene e ilustra a abrangência geográfica da política de incentivos.
Segundo o superintendente da Sudene, Danilo Cabral, o objetivo é reduzir as desigualdades intrarregionais e estimular a industrialização em áreas historicamente desfavorecidas.
“Esses incentivos funcionam como catalisadores, compensando desvantagens competitivas e promovendo a instalação e expansão de empreendimentos”, afirmou Cabral. A análise da autarquia, no entanto, mostra concentração das demandas nos setores industriais tradicionais, o que indica tanto a vocação quanto os limites de diversificação da matriz produtiva regional.
Perfil
A maioria das empresas aprovadas nesta rodada — 17 das 22 — obteve a redução de 75% no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), modalidade mais utilizada pelas companhias que desejam se instalar ou expandir operações na área da Sudene.
Outras cinco propostas foram enquadradas na modalidade de reinvestimento, permitindo o uso de parte do IRPJ em modernização ou aquisição de novos equipamentos.
Os setores beneficiados vão da indústria de alimentos (4 projetos) à química (3), metalurgia (2), plásticos (2) e calçados (1), além de iniciativas em infraestrutura de telecomunicações (4), mineração (3), agricultura irrigada (1) e hotelaria (1).
Para o diretor de Gestão de Fundos e Incentivos, Heitor Freire, a diversidade dos segmentos reflete uma estratégia de desenvolvimento mais ampla. “Apoiamos desde serviços até indústria pesada. Essa amplitude é essencial para combater desigualdades e fortalecer a economia”, avaliou.
Ao longo de 2025, a Sudene já aprovou, em reuniões anteriores, 60 pleitos, totalizando R$ 478,3 milhões em investimentos e a manutenção de 19.382 empregos.
A maioria das demandas, segundo o coordenador-geral de Incentivos e Benefícios Fiscais e Financeiros, Silvio Carlos, veio do setor industrial — cerca de 60%. “Isso evidencia uma demanda consistente por incentivos na indústria, mas também o desafio de estimular novos setores e atrair projetos de inovação e sustentabilidade”, apontou.

