O Brasil está consolidando sua posição no cenário global de transição energética, com um grande passo dado pela recente chamada pública do BNDES e da Finep, que recebeu propostas de investimentos de mais de R$ 85,2 bilhões. O objetivo da chamada é fomentar projetos de transformação mineral, crucial para o desenvolvimento de materiais utilizados em tecnologias limpas e de baixo carbono.
Entre as propostas inscritas, destaca-se o crescente interesse por minerais essenciais para a revolução verde, como lítio, cobre, grafite e terras raras. Esses minerais são fundamentais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, células solares e outros componentes da infraestrutura necessária para uma economia sustentável e descarbonizada.
Apesar de suas vastas reservas minerais, o Brasil ainda tem muito a explorar, já que o país é um dos maiores produtores desses elementos e possui uma matriz energética predominantemente limpa, essencial para dar suporte a esse novo ciclo de desenvolvimento. O desafio é sair da condição de exportador de insumos brutos e investir em beneficiamento local, cadeias produtivas e tecnologia.
Cadeias produtivas no Brasil

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Lítio: O Brasil já é um dos 5 maiores produtores (Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha em destaque), mas exporta matéria-prima bruta, com pouco beneficiamento.
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Cobre: Produzido principalmente no Pará (Carajás). Mas a demanda global deve dobrar até 2035.
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Grafite: É um dos maiores produtores mundiais, mas pouco integrado às cadeias de baterias.
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Terras Raras: O Brasil tem reservas (Minas Gerais, Amazonas, Goiás), mas a produção é incipiente.
A crescente demanda global por minerais estratégicos e o papel do Brasil
No cenário global, a transição energética está impulsionando uma corrida por minerais críticos. Países como China, Estados Unidos e membros da União Europeia estão investindo massivamente na mineração e no processamento desses materiais essenciais.
A crescente demanda por veículos elétricos, energias renováveis e tecnologias de armazenamento de energia cria uma pressão significativa sobre os mercados de lítio, cobre, grafite e terras raras.
Quem lidera no mundo?
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Lítio: Austrália, Chile, China e Argentina.
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Cobre: Chile (disparado), Peru, China, Congo.
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Grafite: China domina com mais de 60% da produção global.
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Terras Raras: China é responsável por cerca de 90% do refino e boa parte da mineração. EUA e Austrália tentam reduzir essa dependência.
A competição por esses recursos está se intensificando, e muitos países estão buscando garantir acesso seguro e sustentável a esses minerais, essenciais para atender aos compromissos climáticos globais.
Novo ciclo de desenvolvimento
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, explica que a iniciativa tem como objetivo posicionar o Brasil como líder nesse novo ciclo de desenvolvimento, com base em uma indústria sustentável e competitiva.
“O Brasil reúne vantagens únicas para atração desses investimentos: vastas reservas minerais, uma matriz energética predominantemente limpa, um ecossistema robusto de inovação e, principalmente, neutralidade geopolítica, fatores que capacitam o país a liderar a agregação de valor na mineração de forma sustentável. A grande demanda revela a aposta assertiva da política industrial do governo do presidente Lula, voltada para investimentos em transição energética”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Já o presidente da Finep, Celso Pansera, reforça que a colaboração entre o governo e o setor privado será essencial para impulsionar a criação de soluções inovadoras e viáveis, que atendam à crescente demanda global por tecnologias de baixo carbono.
“Estamos viabilizando um novo ciclo de desenvolvimento baseado em sustentabilidade e valor agregado nacional e esta chamada mostra que o país está pronto para avançar nesse caminho“, afirmou o presidente da Finep.
Próxima fase
Com o apoio do BNDES e da Finep, será possível financiar a transformação desses minerais em produtos manufaturados de alto valor agregado, ao mesmo tempo em que se investe em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A próxima fase da chamada pública disponibilizará até R$ 5 bilhões para dar continuidade aos projetos selecionados, com foco no apoio à inovação e à sustentabilidade.
Este movimento faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), uma iniciativa que visa promover a neoindustrialização do país por meio de investimentos estratégicos em setores-chave, como bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energéticas para garantir os recursos para futuras gerações
Além disso, o governo federal vê esses investimentos como um caminho para garantir que o Brasil não apenas aproveite suas riquezas naturais, mas também se torne um protagonista na economia do futuro, promovendo desenvolvimento sustentável e alinhado com as necessidades globais de redução de emissões de carbono.

