Por José Natal*
No cotidiano popular nada é tão ruim que não possa piorar. Sempre vai aparecer algum desmiolado que aperta um gatilho em lugar impróprio, ou faça com que o inesperado se transforme em desagradável surpresa. O Instituto Nacional de Seguridade Social, INSS no popular, nunca esteve em nenhuma lista de entidades respeitáveis e bem vistas pelo povo brasileiro, embora ao longo do tempo tenha sido esse o sonho de grande parte da sociedade civil esclarecida.
Como instituição pública, criada para bem servir a comunidade, nunca se estruturou como esperava a população, sempre foi alvo de críticas – devido a desordem administrativa – e no quesito atendimento público em momento algum, recebeu aplausos devido ao desempenho distante do esperado. Pena que seja assim.
A mais recente tempestade de citações negativas sobre essa instituição resvala no absurdo, encosta sem rodeios no absolutamente inadmissível. Atônito, o País assiste pela TV, ouve pelo rádio e acompanha com espanto pela rede social, os resultados de uma investigação que simplesmente mostra o quanto o INSS estava sangrando o dinheiro dos aposentados.
Entidades de origens suspeitas, sacavam mensalmente dos saldos dos segurados valores não autorizados por eles, destinando o dinheiro para os bolsos de marginais de gravatas. O roteiro dessa tramóia toda tem requintes sofisticados, coisa de cinema. Com cara de espanto, subestimando a inteligência do povo brasileiro, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, admite que sabia que algo estava errado sobre esse tema, mas esperava resultados de providências internas para decidir o que fazer sobre as denúncias.
O presidente do Instituto, Alessandro Stefanutto, foi demitido, e alguns servidores envolvidos no caso foram presos. Esse triste episódio nada mais é do que um documento vivo do que sempre foi a trajetória do INSS ao longo do tempo, sem que Governo algum tenha se importado em atender queixas costumeiras do cidadão.
Filas enormes nos postos de atendimento, demora nas respostas a todas questões de aposentadorias, falta de consideração a apelos de trabalhadores dependentes de auxílio doença e uma infinita lista de reclamações que servidores despreparados sempre ouviram, e alguns atenderam.
O atendimento ao público por meio de um ramal telefônico (135) demora em média 30 a 40 minutos para que o segurado tenha uma resposta. Outro desrespeito que o INSS sabe que comete, e pouco se incomoda. Isso é fato, não é fake. O fato atual deve ser investigado por uma CPI, coisa que o Brasil conhece bem.
Alguns políticos fingem que investigam, e a justiça finge que vai punir. A triste realidade que temos que enfrentar, e aceitar sem nada poder fazer, é o total desmantelamento da credibilidade que um dia entidades desse porte inspiravam a comunidade, mereciam respeito. Há em todos nós uma desagradável sensação de desamparo e descrença.
Quem conhece os bastidores do mundo político de Brasília, sabe muito bem com que cuidado essa questão está sendo tratada. Cedo ainda para saber se alguém de fato será punido por tudo isso. Como de costume, aqueles sem pedigree já estão na berlinda, mas não deve ser por muito tempo. Quem tiver paciência, e não precise de se preocupar com o tempo, pode ligar para o ramal 135. Até o fim do semestre talvez tenha a resposta.
*José Natal é Jornalista


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