RIO DE JANEIRO (Reuters) – A guerra tarifária iniciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, deverá ter parte central nas discussões durante a reunião de chanceleres dos BRICS, que acontece no Rio de Janeiro, com o documento final incluindo críticas a “medidas unilaterais”.
“Os ministros estão negociando uma declaração com vistas a reafirmar a centralidade, a importância do sistema multilateral de comércio e, portanto, das negociações comerciais multilaterais como o eixo principal de atuação nessa área do comércio”, disse o negociador brasileiro no bloco, embaixador Maurício Lyrio. “E deverão reafirmar, como sempre fizeram em outras declarações, a sua crítica a medidas unilaterais de que origem sejam. Isso é uma posição dos países, do BRICS, já de longa data, de rejeição a medidas unilaterais.”
Como bloco, o próprio BRICS já foi alvo de críticas de Donald Trump, que ameaçou impor tarifas de 100% a todos os países do grupo se houver uma decisão de criar uma moeda única para transações comerciais para substituir o dólar — na verdade, como mostrou a Reuters, a discussão é sobre aumentar o uso de moedas locais e a interligação dos sistemas de pagamento dos países para facilitar o comércio.
Independentemente, cada um dos países que compoem o BRICS — hoje 11, com Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã se unindo a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul desde o ano passado — enfrenta dificuldades diferentes em meio à guerra comercial iniciada pelo governo norte-americano. Mais diretamente prejudicada, a China, maior economia do grupo, é alvo de 145% de tarifas sobre suas exportações para os EUA.


FRASE DO DIA não adianta explicar condutas como as de Trump, Milei ou Bolsonaro usando o arcabouço teórico das ciências econômicas ou políticas, a melhor alternativa é recorrer a psicanálise ou a psicologia, suas arrogâncias e irresponsabilidades podem ser explicadas por algum trauma sofrido na formação de suas personalidades.