UE suspende tarifas contra os EUA por 90 dias para “dar uma oportunidade às negociações”

De Jorge Liboreiro, da Euronews

 

A União Europeia suspendeu as suas contra-tarifas contra os Estados Unidos para prosseguir as conversações com a administração de Donald Trump sobre a forma de resolver o que, até há poucas horas, estava a transformar numa guerra comercial total.

As contra-tarifas, impostas em reação aos direitos aduaneiros de Trump sobre o aço e o alumínio, foram aprovadas na última quarta-feira pelos Estados-Membros, visando quase 21 mil milhões de euros em produtos americanos, como a soja, o cobre e as motos.

O primeiro pacote, no valor de 3,9 mil milhões de euros, deveria ter entrado em vigor no dia 15 de abril.

Mas já não será esse o caso.

“Queremos dar uma oportunidade às negociações”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, numa breve declaração. “Enquanto finalizamos a adoção das contramedidas da UE, que receberam um forte apoio dos nossos Estados-Membros, vamos suspendê-las durante 90 dias”, acrescentou. “Se as negociações não forem satisfatórias, as nossas contramedidas entrarão em vigor”.

A decisão de Von der Leyen surge poucas horas depois de Trump ter anunciado que as suas auto-intituladas “tarifas recíprocas” serão suspensas durante 90 dias.

O bloco foi inicialmente atingido por uma taxa de 20% sob essas tarifas abrangentes, que a Comissão rejeitou como “nem credível nem justificada”.

Na sequência da reviravolta de Trump, as importações da UE para os Estados Unidos serão sujeitas à taxa de base de 10%. O aço, o alumínio e os automóveis continuarão sujeitos a uma taxa separada de 25%.

Von der Leyen observou que o trabalho interno para preparar “novas contramedidas” continuaria, sinalizando uma profunda incerteza sobre as políticas comerciais de Trump.

“Como eu já disse antes, todas as opções permanecem sobre a mesa”, disse ela.

Nesta quinta-feira, von der Leyen reiterou a sua proposta de um acordo tarifário “zero por zero” sobre todos os produtos industriais, que o presidente americano tinha rejeitado anteriormente.

 

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Redacao RNE

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