Centro do Recife volta ao foco com plano que mira reocupação e uso misto de imóveis

Um plano estratégico apresentado pela Prefeitura do Recife pretende recolocar o Centro da cidade como um espaço atrativo para viver, trabalhar e investir. Batizado de O Centro do Recife na Rota do Futuro”, o documento reúne diretrizes urbanas voltadas à recuperação da área central da capital — com foco em habitabilidade, mobilidade ativa, dinamização econômica e desenvolvimento sociocultural.

O plano mira diretamente o uso mais eficiente dos imóveis ociosos e aposta na ampliação de moradias no coração da cidade. A ideia é favorecer quem já trabalha na região e poderia reduzir deslocamentos, além de atrair novos moradores interessados em viver perto do trabalho ou dos serviços centrais.

Documento prepara a cidade para o marco histórico de 500 anos em 2037. Foto: Edson Holanda

 

Com mais de 200 páginas, o documento traz de forma detalhada seis áreas de interesse que projetam um Centro nesta rota do futuro. Entre elas estão: a Antiga Fábrica da Pilar, o Antigo edifício Votorantim, o antigo mercado das flores, o antigo prédio do Passe Fácil, e o Conjunto Guararapes, o Liceu, apenas para citar alguns.

Mais do que um projeto urbano, esse plano é uma declaração de amor ao coração do Recife e um compromisso com o futuro”, afirmou o prefeito João Campos no lançamento da iniciativa. “Tenho certeza que novidades virão em breve, muita coisa boa para o Centro da cidade.”

Segundo a prefeitura, a iniciativa é parte do Plano Recife 500 Anos, que prepara a cidade para o marco histórico de cinco séculos em 2037. A área de atuação do plano compreende bairros como Santo Antônio, São José, Cabanga, Ilha Joana Bezerra e parte da Boa Vista e Santo Amaro — núcleo mais antigo da capital.

Experiências modelos

 

A proposta toma como inspiração modelos implantados em cidades como Medellín, Porto, Nantes, além de experiências no Rio de Janeiro. Na prática, o plano prevê incentivo ao retrofit de imóveis — ou seja, à readequação de prédios antigos para novos usos, sejam habitacionais ou comerciais — e reforça a Lei do Recentro, que concede benefícios fiscais para quem investir na recuperação de imóveis históricos.

Um dos exemplos locais é o edifício Sertã, na Avenida Guararapes, que passou de salas comerciais a apartamentos de médio porte. Já o empreendimento Yolo propõe moradia compartilhada em unidades compactas com lojas e serviços no térreo, no modelo de uso misto.

A estratégia é sustentada por uma base de dados gerada a partir de consultas a 12,5 mil pessoas, além de entrevistas com lideranças locais e especialistas. A insegurança aparece como um dos principais desafios, mas há também dados que apontam para um crescente interesse em voltar a morar na região central, especialmente por parte de quem trabalha em polos como o Porto Digital.

“O centro da nossa cidade é o coração onde tudo pulsa mais forte. Desde que o Recentro foi criado, em 2021, temos trabalhado para fortalecer a identidade, o patrimônio e a memória afetiva do Recife”, disse Ana Paula Vilaça, chefe do Gabinete do Centro. “Agora, o plano amplia essa visão com um olhar de futuro.”

Iniciativas já em curso

 

De acordo com a prefeitura, intervenções recentes já vêm sendo feitas, como a instalação de LED, requalificação de praças, ordenamento do comércio popular e iniciativas culturais que tentam ativar o uso do espaço público. Uma PPP para retrofit de imóveis e parcerias com a Sudene e o Banco do Nordeste também foram anunciadas, com foco em financiamentos para unidades de uso misto.

Apesar dos avanços, o plano ainda está em estágio inicial. Antes da implantação, será necessário montar grupos de trabalho, ajustar orçamentos, revisar projetos e garantir a integração com o PPA 2026-2029. A ideia é que a reabilitação do Centro seja construída em diálogo constante entre poder público e sociedade.

O documento completo está disponível no site do programa Recentro: recentro.recife.pe.gov.br.

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Luciana Leão

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