O Dia em que Pernambuco virou um “país”

A Data Magna de Pernambuco é celebrada nesta quinta-feira, 6 de Março, desde 2017, quando passou a ser feriado estadual, por meio de um projeto de lei da então deputada estadual Terezinha Nunes.

 

A Revolução de Pernambuco deu início em março de 1817, quando militares e civis, liderados por grupos da elite pernambucana, tomaram o poder e proclamaram uma República em Pernambuco. O movimento conseguiu apoio de outras províncias do Nordeste, como Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

 

À época, foi formado um governo provisório tendo  como integrantes nomes como Domingos José Martins, Frei Caneca, José de Barros Lima (Leão Coroado) e Antônio Carlos de Andrada e Silva. O novo governo tentou organizar uma administração independente, criando leis e promovendo mudanças sociais, como o fim de algumas taxações.

 

Os altos impostos cobrados à época pela Coroa Portuguesa, inclusive, foram uma das causas principais pelo levante da sociedade pernambucana. Pernambuco, naquele período, sofria com pesados tributos e severa política fiscal de Portugal, que beneficiava a metrópole em detrimento da colônia.

 

A produção de açúcar, principal atividade econômica da região, estava em declínio. Além disso, secas e crises aumentavam a miséria da população. Ideais de liberdade, igualdade e autodeterminação inspirados na Revolução Francesa e no Iluminismo aglutinaram setores da sociedade, especialmente intelectuais e militares.

 

A Coroa Portuguesa, liderada por Dom João VI, reagiu enviando tropas navais e terrestres para sufocar a revolta. Em maio de 1817, após confrontos, os revolucionários pernambucanos foram derrotados, sendo os  principais líderes foram presos e executados, incluindo Domingos José Martins e Leão Coroado.

Legado

 

Cerimônia da Data Magna de Pernambuco em frente ao monumento que homenageia os heróis da Revolução de 1817. Foto: Janaína Pepeu/SECOM PE

 

Embora tenha sido breve, a Revolução Pernambucana foi um marco na luta por independência no Brasil, influenciando movimentos futuros, como a Confederação do Equador (1824). Além disso, foi uma das primeiras tentativas concretas de estabelecer uma república no país.

 

Em cerimônia no Palácio do Campo das Princesas, nesta quinta-feira (6), a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, enalteceu os 208 anos da Revolução de Pernambuco.

 

“É um momento de reflexão, mas também de reavivar dentro de nós o espírito daqueles que lutaram muito. Pernambuco sempre teve um espírito de luta pela liberdade, democracia e igualdade e essa luta deve ser sempre mantida porque a gente ainda tem muitos combates pela frente”, afirmou

 

Na ocasião, a governadora Raquel Lyra também levou uma coroa de flores ao monumento que homenageia todos os heróis da Revolução de 1817. Localizada na Praça da República, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, centro da capital pernambucana, a obra em memória aos mártires do Estado é de autoria do artista plástico Abelardo da Hora.

 

“Foi a partir de 1817 que houve um movimento em todos os estados para que o Brasil ficasse independente de Portugal. É importante ressaltar esses ideais porque Pernambuco é o estado que tem a história mais rica do Brasil”, disse a jornalista e ex-deputada estadual Terezinha Nunes, autora do projeto de lei que cria a Data Magna de Pernambuco.

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Luciana Leão

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